segunda-feira, 9 de maio de 2016
terça-feira, 1 de setembro de 2015
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
o melhor lugar do mundo é ao seu lado.
O melhor lugar do mundo é aqui,
E agora
Aqui onde indefinido
Agora que é quase quando
Quando ser leve ou pesado
Deixa de fazer sentido
Aqui de onde o olho mira
Agora que ouvido escuta
O tempo que a voz não fala
Mas que o coração tributa
O melhor lugar do mundo é aqui,
E agora
Aqui onde a cor é clara
Agora que é tudo escuro
Viver em Guadalajara
Dentro de um figo maduro
Aqui longe em nova deli
Agora sete, oito ou nove
Sentir é questão de pele
Amor é tudo que move
O melhor lugar do mundo é aqui,
E agora
Aqui perto passa um rio
Agora eu vi um lagarto
Morrer deve ser tão frio
Quanto na hora do parto
Aqui fora de perigo
Agora dentro de instantes
Depois de tudo que eu digo
Muito embora muito antes
O melhor lugar do mundo é aqui,
gilberto gil
E agora
Aqui onde indefinido
Agora que é quase quando
Quando ser leve ou pesado
Deixa de fazer sentido
Aqui de onde o olho mira
Agora que ouvido escuta
O tempo que a voz não fala
Mas que o coração tributa
O melhor lugar do mundo é aqui,
E agora
Aqui onde a cor é clara
Agora que é tudo escuro
Viver em Guadalajara
Dentro de um figo maduro
Aqui longe em nova deli
Agora sete, oito ou nove
Sentir é questão de pele
Amor é tudo que move
O melhor lugar do mundo é aqui,
E agora
Aqui perto passa um rio
Agora eu vi um lagarto
Morrer deve ser tão frio
Quanto na hora do parto
Aqui fora de perigo
Agora dentro de instantes
Depois de tudo que eu digo
Muito embora muito antes
O melhor lugar do mundo é aqui,
gilberto gil
segunda-feira, 9 de junho de 2014
VIPASSANA
A Meditação Vipassana baseada na plena atenção à respiração, ensinada pelo Buda, é um caminho eficaz e completo para treinar a mente.
VIPASSANA significa olhar dentro de algo com clareza e precisão, ver distintamente cada componente, penetrar todo o caminho, vendo assim a realidade mais fundamental de cada coisa.
O objetivo central dessa prática é ver a verdadeira natureza do corpo/mente da forma como realmente é, e não como aprendemos a acreditar ou supomos que seja. Ver as coisas como são produz a compreensão correta e a sabedoria, por meio das quais a ignorância e o sofrimento são eliminados.
O objetivo central dessa prática é ver a verdadeira natureza do corpo/mente da forma como realmente é, e não como aprendemos a acreditar ou supomos que seja. Ver as coisas como são produz a compreensão correta e a sabedoria, por meio das quais a ignorância e o sofrimento são eliminados.
A Meditação Vipassana é, portanto, essencialmente um processo ou uma jornada ao interior do próprio corpo e mente para observarmos diretamente e compreendermos como corpo e mente trabalham nos níveis sutis.
Vemos então a interconexão entre o corpo, a mente,os sentidos e a estimulação dos sentidos. Vemos os condicionamentos e as reações automáticas de nosso corpo e mente ao mundo interior e exterior.
Esta visão profunda e penetrante permite que a compreensão do sofrimento e das causas do sofrimento seja vista claramente.
Vemos então a interconexão entre o corpo, a mente,os sentidos e a estimulação dos sentidos. Vemos os condicionamentos e as reações automáticas de nosso corpo e mente ao mundo interior e exterior.
Esta visão profunda e penetrante permite que a compreensão do sofrimento e das causas do sofrimento seja vista claramente.
Com a prática, as fontes internas e externas de conflito, confusão e sofrimento físico e psicológico são percebidas, enfraquecidas e, finalmente, transcendidas. Com isto um bem estar, estável, físico e mental desenvolve-se juntamente com a bondade e a compaixão para consigo e para com todos os seres.
domingo, 1 de junho de 2014
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
libertando-SE
TRANSCENDER O MEDO!
Quando se transgride os tabus, que é uma forma de poder imposto para manipular e manter o domínio a partir do medo, pelas religiões, mídia e demais instituições, com o intuito de gerar um poder controlador para o interesse das mesmas. Quando se der esse rompimento, que transcende a barreira ilusória, você descobre outro mundo. Um novo mundo! E descobre dentro de você um ser livre, cheio de possibilidades que você realmente é!Provar o fruto da árvore do conhecimento te liberta e te faz raciocinar, fazer suas próprias escolhas, criar uma nova linguagem e romper com estruturas alienantes. Grande parte da humanidade está condicionada, presa em tabus, medos, falsas crenças...LIBERTE-SE!
domingo, 25 de agosto de 2013
INSIGHT SOLITÁRIO SOBRE A VIDA. - O INICIO DO CAMINHO DO APRENDIZ
Se é o inicio de uma longa jornada,então para que correr...?Cada passo dado com zêlo,calma,sabedoria e confiança,só resultará numa caminhada cheia de amor,alegria,felicidade,clarez a e principalmente paz interior.
TUDO TEM SEU TEMPO!!! Nâo apresse o curso do rio,falou o meu guia e mestre taiosta.
Agosto de 2013
TUDO TEM SEU TEMPO!!! Nâo apresse o curso do rio,falou o meu guia e mestre taiosta.
Agosto de 2013
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
I-CALCINATIO
O processo químico da calcinação envolve o intenso aquecimento de um sólido, destinado a retirar dele a água e todos os demais elementos passíveis de volatização. Resta um fino pó seco. Exemplo clássico de calcinação, do qual surgiu o termo cal (calx= cal), é o aquecimento da pedra calcária (CaCO3) ou do hidróxido de cálcio para produzir cal viva (CAO, calx viva). Acrescentando-se água à cal viva, esta apresenta a interessante característica de geração de calor. Os alquimistas pensavam que continha fogo e por vezes a equiparavam ao próprio fogo.
A CALCINATIO é a operação do fogo. ( as outras são: solutio, água. Coagulatio, terra; e sublimatio, ar). Eis porque toda imagem que contêm o fogo livre queimando ou afetando substâncias se relaciona com a Calcinatio. Isso nos leva ao rico simbolismo do fogo. Para Jung o fogo simboliza a libido. Trata-se de uma afirmação bastante geral. Para conhecer as implicações do fogo e dos seus efeitos, devemos examinar a fenomenologia da imagem em suas inúmeras ramificações.
O fogo da calcinatio é um fogo purgador, embranquecedor. Atua sobre a matéria negra, a nigredo, tornando-a branca... Há muitas alusões ao simbolismo do fogo ( purgatório, inferno, etc.).Um interpretação psicológica do fogo é importante, inclusive para a correta interpretação dos textos bíblicos.
O fogo do inferno é o destino daquele aspecto do ego que se identifica com as energias transpessoais da psique e as utiliza para fins de prazer ou de poder pessoais. Esse aspecto do ego, identificado com a energia do SELF (SI-MESMO), deve passar pela calcinatio. Só se considerará o processo "eterno" quando se estiver lidando com uma dissociação psíquica que separe de modo inevitável o bem do mal e o céu do inferno. "Pelo elemento fogo, tudo o que há de impuro é destruído e retirado".
Em toda parte, associa-se o fogo com Deus, sendo ele, por conseguinte das energias arquetípicas que transcendem o ego e são experimentadas como numinosas. Cristo também é associado ao fogo.
De uma forma característica, o pensamento místico distingue dois tipos de fogo. Os estóicos falavam de um fogo terrestre e de um fogo etéreo. O etéreo corresponde ao NOUS, o divino LOGOS, aproximando-se da concepção cristã posterior do Espírito Santo. A Palavra de Deus é descrita como um fogo. (cf Jr 5,14; Jr 23,29; Tg 3,6).Em Pentecostes O Espírito Santo desce como fogo ( At 2,3).. Nos tempos primitivos, o fogo era o principal método de sacrifício aos deuses. O fogo conectava o divino com o humano.
A calcinatio é um processo de secagem. A cinza é alquimicamente equivalente ao sal. Na psicoterapia envolve a secagem de complexos inconscientes que vivem na água.
De modo geral, quando enfrentamos a realidade da vida, ela nos propicia grande número de ocasiões para a calcinatio do desejo frustrado... A calcinatio tem um efeito purgador e purificador. A substância é purgada de sua umidade radical.
Por fim a calcinatio produz uma certa imunidade ao afeto e uma habilidade para ver o aspecto arquetípico da existência Na medida em que estamos relacionados com o aspecto transpessoal do nosso ser, experimentamos o afeto como fogo etéreo (Espírito Santo) e não como o fogo terrestre - a dor do desejo frustrado.
(O material aqui exposto é resumo livre da Obra: EDWARD F EDINGER,ANATOMIA DA PSIQUE, O Simbolismo Alquímico na Psicoterapia, Editora Cultrix,São Paulo, 1995. )
ALQUIMIA & PSICOLOGIA-I
"A Alquimia representa a projeção de um drama ao mesmo tempo cósmico e espiritual em termos de laboratório. A opus magnum tinha duas finalidades: o resgate da alma humana e a salvação do cosmos...". Esse trabalho é difícil e repleto de obstáculos; a opus alquímica é perigosa. Logo no começo, encontramos o "dragão", o espírito ctônico, o "diabo" ou, como os alquimistas o chamavam, o "negrume", a nigredo, e esse encontro produz sofrimento... Na linguagem dos alquimistas, a matéria sofre até a nigredo desaparecer, quando a aurora será anunciada pela cauda do pavão (cauda pavonis) e um novo dia nascer, a leukosis ou albedo. Mas nesse estado de "brancura", não se vive, na verdadeira acepção da palavra; é uma espécie de estado ideal, abstrato. Para insuflar-lhe vida, deve ter "sangue", deve possuir aquilo a que os alquimistas denominavam de rubedo, a "vermelhidão" da vida. Só a experiência total da vida pode transformar esse estado ideal de albedo num modo de existência plenamente humano. Só o sangue pode reanimar o glorioso estado de consciência em que o derradeiro vestígio de negrume é dissolvido, em que o diabo deixa de ter existência autônoma e se junta à profunda unidade da psique. Então, a opus magnum está concluída: a alma humana está completamente integrada.” Jung
quinta-feira, 4 de julho de 2013
OS ALQUIMISTAS ESTÃO CHEGANDO...MY LORD.
Rodolfo II foi um dos mais excêntricos monarcas europeus de todos os tempos. Colecionava anões e possuía um regimento de gigantes em seu exército. Era rodeado por astrólogos e fascinado por jogos, códigos e música. Rodolfo fazia parte dos nobres de seu período orientados pelas ciências ocultas. Patrono da alquimia, financiou a impressão de literatura alquimista. Além disso, seu gosto pelo excêntrico o fez um dos principais protetores e mecenas de Giuseppe Arcimboldo pintor considerado por certos críticos um dos precursores ou inspiradores do surrealismo, umas das principais vanguardas europeias do século XX. Uma das principais obras do artista é justamente o retrato de Rodolfo II como o deus romano Vertumnus pintado provavelmente entre 1590 e 1591 feito com vários tipos de frutas, legumes, cereais e outros vegetais.
segunda-feira, 17 de junho de 2013
UMA GOTA DE MELANCOLIA CAIU SOBRE MIM ESSA MANHÃ...
HOJE A SOMBRA DA MELANCOLIA SE ABATEU SOBRE MINHA ALMA,ME
FAZENDO VER A REALIDADE DESSA FUGAZ VIDA,MINHA ALMA SE TORTURA NA BUSCA DE UM MOTIVO
PARA ESSE TIPO DE SENTIMENTO.O QUE SERIA MELHOR? NÃO PENSAR EM NADA E DEIXAR
ESSE SENTIMENTO ME ABRIGAR E DEPOIS ABRIR SUAS ASAS E PARTIR? MEUS PENSAMENTOS
BUSCAM UMA CAUSA PARA ESSA SUTIL TRISTEZA NA ALMA...PENSO NO FUTURO E NO
PRESENTE.NO HOJE E NO AMANHA.TOLAS DIVISÕES IMAGINARIAS,POIS A VIDA SE DESENVOLVE
NO AQUI E NO AGORA, E NO AGORA,SÓ SINTO TRISTEZA.ESTOU FRAGIL E CARENTE...O QUE
É A VIDA? PERMITO-ME E ME ABRO SEM DEFESAS PARA ENCONTRAR RESPOSTAS QUE POSSAM
CONFORTAR MINHA ALMA IMPACIENTE. DO UNIVERSO, QUE SEJA FEITO A SUA VONTADE,ESTOU
ULTIMAMENTE ABERTO PARA O QUE VIER ,SE É QUE ELE TEM ALGO.SE EXISTIR
DESTINO,ESSE INDECIFRAVEL MISTERIO DA VIDA,ENTÃO QUE ME ENCONTRE LOGO,ESTOU
PRONTO,ENTREGUE! MAS QUE CHEGUE SUAVEMENTE, LENTAMENTE... AS VEZES PENSO QUE
ESTOU SENDO PREPARADO,NUM MOMENTO DE TRANSIÇÃO,DE ESPERA,INTERMÉDIO DO DESTINO.É
BOM PENSAR EM PROJETOS, EM SONHOS,POIS ANIMA A ALMA POR ALGUNS
MINUTOS,ENTORPECENDO A TRISTEZA.MELANCOLIA SEM SENTIDO ,OU TERÁ UM SENTIDO QUE
ME APONTA? DEVO EU MERGULHAR NESSE ESTADO, DORMIR E ME COBRIR COM SONHOS?...QUANDO
ESTOU ASSIM ,FICO COM O HUMOR ÁCIDO,IMPACIENTE DIANTE DA MEDIOCRIDADE HUMANA
MAS TAMBEM COMPREENSIVO E COMPLACENTE,CARENTE POR UM ABRAÇO FORTE E
ACONCHEGANTE DE ALGUEM QUE POSSA ME COBRIR COM SEUS BRAÇOS.HA!! VIDA...! TÃO
CHEIA DE PARADOXOS, TÃO FÁCIL DE SE PERDER ENTRE ELES,LABIRINTOS DE ILUSÕES...AS
VEZES GOSTO DE PERMANECER NESSE ESTADO-OLHA SÓ O PARADOXO- EM QUE A ALMA É
POSTA DE FRENTE,NESSES DIAS EM QUE A REALIDADE DANÇA SUA MUSICA DIANTE DOS
OLHOS,DIAS EM QUE AS LÁGRIMAS CAEM SEM SABER O MOTIVO,POIS É A ALMA QUE CHORA...UMA TRISTE SINFONIA DE
“BACKGROUND” SEGUE SOANDO NA ALMA DURANTE TODO O DIA...E AS VEZES EU DANÇO ESSA
MUSICA. HOJE QUANDO ACORDEI, OLHEI PELA JANELA DO QUARTO -LUGAR EM QUE AS
VEZES ME DEBRUÇO PARA ESPIAR A VIDA SE MOVIMENTANDO- E O DIA ESTAVA PARADO, CHUVOSO E
NUBLADO. ACHO QUE MINHA ALMA ABSORVEU O QUE OS MEUS OLHOS VIRAM...PRECISAVA
CHUVER! UMA GOTA CAIU SOBRE MIM...
domingo, 2 de junho de 2013
A POESIA DE PETER HANDKE- "CANÇÃO DA INFÂNCIA"
Quando a criança era criança,
andava balançando os braços,
queria que o riacho fosse um rio,
que o rio fosse uma torrente
e que essa poça fosse o mar.
andava balançando os braços,
queria que o riacho fosse um rio,
que o rio fosse uma torrente
e que essa poça fosse o mar.
Quando a criança era criança,
não sabia que era criança,
tudo lhe parecia ter alma,
e todas as almas eram uma.
tudo lhe parecia ter alma,
e todas as almas eram uma.
Quando a criança era criança,
não tinha opinião a respeito de nada,
não tinha nenhum costume,
sentava-se sempre de pernas cruzadas,
saía correndo,
tinha um redemoinho no cabelo
e não fazia poses na hora da fotografia.
não tinha nenhum costume,
sentava-se sempre de pernas cruzadas,
saía correndo,
tinha um redemoinho no cabelo
e não fazia poses na hora da fotografia.
Quando a criança era uma criança
era a época destas perguntas:
Por que eu sou eu e não você?
Por que estou aqui, e por que não lá?
Quando foi que o tempo
começou, e onde é que o espaço termina?
Um lugar na vida sob o sol não é apenas um sonho?
Aquilo que eu vejo e ouço e cheiro
não é só a aparência de um mundo diante de um mundo?
Existe de fato o Mal e as pessoas
que são realmente más?
Como pode ser que eu, que sou eu,
antes de ser eu mesmo não era eu,
e que algum dia, eu, que sou eu,
não serei mais quem eu sou?
Quando uma criança era uma criança,
Mastigava espinafre, ervilhas, bolinhos de arroz, e couve-flor cozida,
e comia tudo isto não somente porque precisava comer.
Quando uma criança era uma criança,
Uma vez acordou numa cama estranha,
e agora faz isso de novo e de novo.
Muitas pessoas, então, pareciam lindas
e agora só algumas parecem, com alguma sorte.
Visualizava uma clara imagem do Paraíso,
e agora no máximo consegue só imaginá-lo,
não podia conceber o vazio absoluto,
que hoje estremece no seu pensamento.
Quando uma criança era uma criança,
brincava com entusiasmo,
e agora tem tanta excitação como tinha,
porém só quando pensa em trabalho.
Quando uma criança era uma criança,
Era suficiente comer uma maçã, uma laranja, pão,
E agora é a mesma coisa.
Quando uma criança era criança,
amoras enchiam sua mão como somente as amoras conseguem,
e também fazem agora,
Avelãs frescas machucavam sua língua,
parecido com o que fazem agora,
tinha, em cada cume de montanha,
a busca por uma montanha ainda mais alta,e em cada cidade,
a busca por uma cidade ainda maior,
e ainda é assim,
alcançava cerejas nos galhos mais altos das árvores
como, com algum orgulho, ainda consegue fazer hoje,
tinha uma timidez na frente de estranhos,
como ainda tem.
Esperava a primeira neve,
Como ainda espera até agora.
Quando a criança era criança,
Arremessou um bastão como se fosse uma lança contra uma árvore,
E ela ainda está lá, chacoalhando, até hoje.
Por que eu sou eu e não você?
Por que estou aqui, e por que não lá?
Quando foi que o tempo
começou, e onde é que o espaço termina?
Um lugar na vida sob o sol não é apenas um sonho?
Aquilo que eu vejo e ouço e cheiro
não é só a aparência de um mundo diante de um mundo?
Existe de fato o Mal e as pessoas
que são realmente más?
Como pode ser que eu, que sou eu,
antes de ser eu mesmo não era eu,
e que algum dia, eu, que sou eu,
não serei mais quem eu sou?
Quando uma criança era uma criança,
Mastigava espinafre, ervilhas, bolinhos de arroz, e couve-flor cozida,
e comia tudo isto não somente porque precisava comer.
Quando uma criança era uma criança,
Uma vez acordou numa cama estranha,
e agora faz isso de novo e de novo.
Muitas pessoas, então, pareciam lindas
e agora só algumas parecem, com alguma sorte.
Visualizava uma clara imagem do Paraíso,
e agora no máximo consegue só imaginá-lo,
não podia conceber o vazio absoluto,
que hoje estremece no seu pensamento.
Quando uma criança era uma criança,
brincava com entusiasmo,
e agora tem tanta excitação como tinha,
porém só quando pensa em trabalho.
Quando uma criança era uma criança,
Era suficiente comer uma maçã, uma laranja, pão,
E agora é a mesma coisa.
Quando uma criança era criança,
amoras enchiam sua mão como somente as amoras conseguem,
e também fazem agora,
Avelãs frescas machucavam sua língua,
parecido com o que fazem agora,
tinha, em cada cume de montanha,
a busca por uma montanha ainda mais alta,e em cada cidade,
a busca por uma cidade ainda maior,
e ainda é assim,
alcançava cerejas nos galhos mais altos das árvores
como, com algum orgulho, ainda consegue fazer hoje,
tinha uma timidez na frente de estranhos,
como ainda tem.
Esperava a primeira neve,
Como ainda espera até agora.
Quando a criança era criança,
Arremessou um bastão como se fosse uma lança contra uma árvore,
E ela ainda está lá, chacoalhando, até hoje.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
CARNAVAIS DESPERTADOS
Foto: Carnaval no AFC-Sou o do meio de calça comprida e dedos em "V"
Olhando para o
carnaval de hoje, lembrei-me dos carnavais da minha infância na cidade de
Natal, no bairro do Tirol, lá pelos idos dos anos 70. Era a minha melhor
diversão. Eu aguardava ansiosamente a folia de Momo chegar para, junto com os
amigos da rua, molhar as pessoas e os carros que trafegavam pelo nosso pedaço.
O bom mesmo era pegar um motorista desprevenido, com os vidros do carro
abertos. Tínhamos baldes, latas, bombas de água (uma espécie de seringa
gigante, feita de cano de água e um cabo de vassoura com sola de chinelo de
borracha nas extremidades, que ao sugar a água, enchia o cano). Ficávamos em
bandos nas esquinas, escondidos, esperando passar um carro para dar aquele
banho. Quando o motorista parava o carro, depois de um banho exemplar, saíamos
correndo desesperados com o coração aos pulos. Lembro-me de sair com meu pai de
carro, e de longe enxergávamos os meninos nas esquinas escondidos. Tínhamos que
ser rápidos nas manivelas dos vidros, pois eles também corriam em direção ao
carro. Meu pai ficava enlouquecido se tomava um banho, descia do carro,
gritava, xingava... Tinha que se dirigir naqueles dias de carnaval muito
atento, porque as maiorias das ruas de Natal estavam repletas de moleques e
adolescentes, ávidos para dar um banho em alguém que aparecesse. Era tudo tão
saudável e cheio de adrenalina. Havia também os blocos que “assaltavam” as
casas. Lembro-me da felicidade, quando a minha casa foi “assaltada” por
centenas de foliões. Quando uma casa era “assaltada”, o dono tinha que dar
bebida, comida, etc..., mas geralmente os “assaltantes” do bloco chegavam
sempre munidos de whiskey e lança-perfume, todos “melados”. No nosso lar doce
lar, foi uma alegria só. Meu pai se divertiu com toda aquela bagunça em casa.
Minha mãe ficou enlouquecida de ter a casa invadida por dezenas de foliões
famintos, embriagados e uma banda tocando nas alturas. Eu pirei aquele dia.
Havia, ainda, a tal da lança-perfume, que representava o mistério, a
transgressão em época de ditadura militar. Também rolava a tal da “loló”, mais
“pesada”, à base de éter, clorofórmio e outras químicas mais. Era avidamente
inalada nos banheiros dos clubes clandestinamente. A noite era só para os
adultos. Eu frequentava as matinês do América Futebol Clube. Pulei muito
carnaval na sede do alvirrubro natalense. Adorava recolher os confetes do chão
para jogar de novo para o alto e ver cair na cabeça das pessoas e ficar
grudado. As serpentinas voavam alto. No salão do clube, improvisávamos um longo
trenzinho humano, que ficava rodando todo o salão lotado de gente “pulando” ao
som daquela banda que soava os metais nas alturas. À noite, era a vez dos
adultos. Meus pais se fantasiavam e se juntavam a outros casais amigos no
clube. Era diversão garantida. A minha irmã mais velha, o namorado e a turma
deles também não deixavam por menos. Toda a família pulava carnaval. Meu pai
era sócio do América e eu também frequentava as piscinas do clube todos os
domingos. Os carnavais passados, de clube e rua, tinham sua magia, seu
encanto... Daquele período, trago boas recordações... mas não me tornei um
folião. Ou será que existe um arlequim adormecido dentro de mim, esperando um
dia despertar e cair na folia? Hoje quem acordou foram as recordações,
lembranças dos meus dias de carnaval, quando não existia violência. Só paz,
amor, alegria, o dedo em “V” e a minha inocência sobre o mundo e os desejos do
corpo.
Carnaval de 2013
With a little help from my friends P.J.
With a little help from my friends P.J.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Memorias em decoposição
Sonhei com Grandes e Velhas carcaças de barcos ancoradas na
praia deserta, pedaços de sonhos, no porto solitário, vazio... Tudo é deserto e
silencioso. Os barcos já se tornaram velhas construções, com suas madeiras
esqueléticas apodrecidas pelo tempo, visito antigos barcos fantasmas, que um dia
navegaram por aguas quentes e límpidas de um céu azul celestial e profundo. Busco
alguns fragmentos de sonhos, restos de tesouros, assim é a vida: decomposição...
Alipio-Fev 2013
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
OVELHAS E BODES
Recentemente
circulou na mídia, principalmente nas redes sociais do Brasil, notícia sobre um
determinado pastor de igreja evangélica, o qual declarou que “ama os homossexuais como ama os bandidos’’,
etc... Uma famosa apresentadora de TV respondeu que “quem segue um pastor desses só pode ter cérebro de ovelha”. A partir dessa afirmação, me veio na lembrança
uma coisa que eu sempre observei, mas
nunca escrevi: as pessoas ovelhas e bodes. As pessoas que eu denomino ovelhas
são as que nasceram ou que trazem na alma o desejo de serem amestradas e que
necessitam de alguém para lhes guiar. Essas pessoas se sentem iguais, compatíveis
com os demais da sua espécie, repetindo padrões, comportamentos condicionados e
acreditando em tudo que o seu fiel pastor lhe diz. Costumam sair um pouco do
seu curral, mas logo em seguida, junto com o restante do rebanho, voltam para o
seu cercado e esperam sempre obedecer as ordens. Não pensam, não criticam, não
raciocinam... vivem para o rebanho conforme as leis do pastor do seu meio ambiente,
geralmente transformado e estruturado para lhe trazer o conforto necessário
para deixá-las tranquilas, sem ter que pensar ou questionar... ”o senhor é o meu pastor e nada me faltará...” Assim, arrebanhadas coletivamente,
seguem felizes um padrão de vida que se
resume em: comer, pastar, dormir, reproduzir e esperar o abate (geralmente do
seu querido pastor). Pobres ovelhas, desconhecem as alturas das montanhas, os
campos selvagens, os horizontes distantes. As pessoas ovelhas se contentam com
o ...“crescei e multiplicai-vos...”, aumentando assim o rebanho. É lógico
que no meio dessas ovelhas tem sempre aquela que detecta algo errado, mas não
sabe o que é... como no filme “Matrix” em que Neo percebia algo diferente inconscientemente,
intuição de que alguma coisa estava errado, que não se sentia bem seguindo o rebanho,
não conseguia mais se encaixar no padrão... algo selvagem nela começa a
incomodá-la. Normalmente chamam este tipo de criatura de ovelha negra. Esta
pobre ovelha se torna estigmatizada, excluída do rebanho por se tratar de um ovino
rebelde, diferente, problemático. As pessoas que eu denomino bode, são esquivas,
não gostam de andar em bando, preferem a vida selvagem, a liberdade de explorar
as mais altas montanhas, e de lá avistar o horizonte, e que sabem que a vida tem
muitas estradas e montanhas e que cada terreno novo lhe traz a alegria de
viver... sua liberdade, sua solidão não tem preço. Curioso é que as instituições
que arrebanham, costumam utilizar como símbolo do mal, uma cabeça de bode... As
pessoas caprinos, assim como a espécie animal, nascem com essas características
na alma, com o instinto de sobrevivência nas mais remotas terras, e desenvolvem
esse instinto com defesas para se proteger de qualquer predador (e pastor) enquanto
que as ovelhas são os únicos animais na face da terra que não possuem instinto
de defesa, ficam na base da cadeia alimentar . Assim, são as pessoas bodes, não
aceitam ordens, gostam de fazer suas próprias escolhas, decidem onde ir e com
quem andar... É lógico que não só ovelhas e caprinos andam neste planeta, temos
também os porcos, os ratos, os cachorros... mas ai será uma outra história. Agora vou ler George Orwell e ouvir “Animals”, do
Pink Floyd. Eita mundo animal.
Alipio Raposo – fev-2013
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
INSTINTO FELINO - I
Outro dia tive um insight que me fez entender o porquê de eu
gostar tanto de gatos. Percebi que me identifico com eles em um aspecto (entre
tantos outros): o apego ao lar! Não quero dizer com isso que eles se apegam a
casa e não ao dono... Esses mitos que falam deles, que dizem que gato não se
apega ao dono e sim a casa, que gato é traiçoeiro, etc.. Coisas inventadas por
quem nunca teve gato e acaba repetindo esses
chavões como um hábito preconceituosos. Sim,
o gato também elege uma pessoa da casa, de maneira felinamente devocional para receber seu amor e carinho, e até diria , de um modo tanto possesivo. Esse
apego exagerado do gato, também se estende para seu lar, para seu território,
seu espaço ,sua casa...é nesse ponto que eu me identifico. Estou numa fase de troca de lar,
de habitação, numa fase de transição mesmo, de abandono de um lar onde morei
muitos anos e tive que mudar para outro. Esse processo de mudança e adaptação
ao novo espaço exige paciência para se processar, sentindo a energia do novo espaço ir procurando se acostumar aos novos cheiros, sons, cores, cantos ,me
sinto como um gato que ao se deparar com um novo lar, chega desconfiado ,curioso,
e aos poucos vai se apegando, se ajeitando, encontrando cantos para relaxar, como
um começo de um novo relacionamento. Vou aos poucos deixando meu cheiro pelo
apartamento, marcando cantos específicos e buscando interagir com as novas formas...
Cada compartimento novo, aos poucos vou fazendo o reconhecimento, até sentir-me
aconchegado, e protegido no novo território... O abandono do antigo lar é também um processo gradativo de desapego, ficam
os rastros, as marcas e recordações pelas paredes, teto, chão e na memória. São fatores que devem ser transplantados com cuidado para a nova
habitação e outros até descartados. Assim estou atualmente, em transição de
território, como não tenho uma pessoa para trocar e receber carinhos, me esfregar e
pular no colo , me apego aos cantos do novo apartamento, aos livros, às musicas
e principalmente ao quarto de dormir e a cozinha... Vou, aos poucos, deixando minhas
marcas pelas paredes do apartamento, esbarrando meu corpo, deixando meu cheiro,
me aconchegando devotamente ao novo lar fazendo dele meu mais novo templo de solidão
e refugio.
Alipio Raposo-Dez-2012
terça-feira, 27 de novembro de 2012
CAMINHOS
OS ATALHOS,
AS LADEIRAS,
AS TRILHAS.
SIGO NA ESTRADA DA VIDA.
FAÇO A MINHA CAMINHADA.
AS VEZES SURGEM ATALHOS,
NOVAS ESTRADAS,
NOVOS CAMINHOS,
SIGO CAMINHANDO...
POIS A VIDA É CAMINHAR ESTRADA A FORA,
SEGUIR UM DESTINO.
AS VEZES OS VENTOS E O PÓ DA ESTRADA NOS FAZEM
MUDAR DE ROTA,
DE RUMO!
NOVO CAMINHO
NOVO CAMINHAR
NOVO DESTINO
NOVA ESTRADA
SIGO ADIANTE...CAMINHANDO !
O SEGREDO É ADMIRAR A PAISAGEM
VER AS PEDRAS E NÃO TROPEÇAR,
RESPIRAR O PÓ DA ESTRADA
E NÃO SE SUFOCAR
A ESTRADA É LINDA
É MAGICA
É MISTERIOSA
E CAMINHAR É UMA ARTE.
SÃO TANTAS AS ESTRADAS E OS DESTINOS...
TRAÇO MINHA ROTA E SIGO COM FÉ.
"...ANDAR COM FÉ EU VOU,POIS A FÉ NÃO COSTUMA FALHAR..."
Alipio - Novembro 2012
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
SINCRONICIDADE - II
A aranha que queria entrar em casa,a misteriosa aranha do face e nasca adesivo aranha...semana Aranha!
Assinar:
Postagens (Atom)












